segunda-feira, junho 11, 2007

Imprensa Livre

Já que estamos falando de imprensa, vale um comentário sobre o jornal "Imprensa Livre", do litoral norte de São Paulo, que eu tive o prazer de ler nesse feriado. Acredito que o nome do jornal tenha sido mal interpretado pelos jornalistas que lá trabalham. Estes entenderam, provavelmente, que podem bolar manchetes sem limites de tamanho, legendas nada esclarecedoras, ou, em alguns casos, esclarecedoras até demais, como no caso do telefone. Sim, na matéria cujo título é: "Golpes pelo telefone preocupam empresa de comunicação", há uma pequena foto de um aparelho de telefone com uma mão segurando o fone e a brilhante legenda: "Telefone". Já pensou você se não houvesse essa legenda? Ninguém entenderia que se tratava de um aparelho de telefone. O mais incrível é que a matéria não precisava de nenhuma ilustração. Mas, alguém achou uma boa idéia e pediu para o fotógrafo Halsey Madeira, que assina a obra, caprichar na foto de um aparelho telefônico com aquela mão misteriosa segurando o fone.
Outro detalhe sobre esse jornal: eles são chegados numa viuvinha. Pra quem não é do ramo, viuvinha é aquela palavrinha indesejada que sobra na linha de baixo. Em geral, a viuvinha não é desejável nem no corpo do texto, muito menos no título. No Imprensa Livre, eles não se preocupam com esses detalhes. Seria bom ensinar o diagramador do jornal, que deve ser irmão do Halsey, a justificar o texto. Até nos títulos centopéicos, que muitas vezes ocupam três linhas, o sujeito alinha tudo à esquerda. Ô, amigo, centraliza essa porra. Faz como eu aqui no blógui do escrevinhadeiro, oras.
Pra se ter uma idéia dos títulos centopéicos, a manchete principal do jornal é esta: "Feriadão: 50 mil veículos devem descer a serra rumo ao Litoral Norte. A previsão é de Sol e praias próprias para o banho". Ótimo, depois de ler essa manchete, quem vai se preocupar em ler a matéria? Os sujeitos conseguiram colocar todas as informações logo na manchete. Deveriam parar por aí.
Ao lado da foto principal, que bem observou o Lino, está com uma legenda nada esclarecedora: "Apesar da boa previsão do tempo, hotéis e pousadas da região devem ficar com menos de 50% de ocupação no feriado" - essa foto é de onde, porra? - os caras conseguiram fazer uma chamada espremida que ocupa nada menos que seis linhas. Abaixo da palavra "Ubatuba": "Cidade quer criar um planejamento regional antes da instalação do gasoduto". Definitivamente, precisamos chamar alguns diagramadores para acabar com essa anarquia.
A anarquia também costuma invadir os textos. Essa informação me foi passada pelo Lino, que conhece o jornal há mais tempo, e ficou bem chateado por não ter encontrado nenhum erro gritante de português no jornal - parece que, geralmente, o jornal contém mais erros de português do que este meu blógui. Teve que apelar para uma palavra, não sei qual, escrita sem acento. Algo como "Incluido".
Mas eu gostei mesmo da parte de esportes. Veja os títulos:
1 - São Sebastião participa do 17° Campeonato Brasileiro de Holder
Não sabe o que é holder? Não acredito. Holder é uma categoria de corrida de barco a vela em que o competidor vai sozinho, "holding" a vela por conta e risco, entendeu? Isso tudo eu supus por causa da foto que ilustra a matéria, que ainda vem com essa ótima legenda: "Equipe sebastianense treinou duro para a competição" - acho que nós teremos que explicar a esses anarquistas a finalidade de uma legenda.
2 - Feras do surfe profissional chegam a Ubatuba para a disputa do paulista
O título ocupa três linhas de uma coluna do jornal. Não dá pra pensar em algo mais curto? Sei lá, em vez de "Feras do surfe profissional", que tal "surfistas"?
3 - Caraguá recebe a 2ª etapa do Circuito da Liga do Vale de Jiu Jitsu
"...do Circuito da Liga do Vale de..."? Deus meu. Perceberam a dança das preposições? Os caras conseguiram enfiar quatro preposições num título. Isso deve ser um recorde mundial. Chama o pessoal do Guinness. E, claro, mais uma chamada que ocupa três linhas. Aqui, ainda por cima, aparece a famosa viuvinha. O "Jiu Jitsu" ficou sozinho na terceira linha, coitado. Sugestão: por que não utilizar o recurso do "chapeú"? Pois é, o chapéu, pra quem não é do ramo, é uma palavra mágica que costuma vir acima do título, pra avisar ao leitor sobre o que será a matéria. No caso, poderia ser "Jiu Jitsu". Nas anteriores, poderia ser "Vela", "Surfe" etc. Você está louco, escrevinhadeiro? Se o irmão do Halcey não sabe nem justificar um texto, imagina pedir pro cara acrescentar chapéus na diagramação? Realmente, seria inviável.
4 - Atletas de Ubatuba disputam fase estadual dos Jogos da Juventude
Com direito a viuvinha de novo, mais um título centopéico se apresenta.
Chega. A idéia era falar rapidamente do jornal "Imprensa Livre", fazer umas piadinhas idiotas e só. Acabou se transformando num texto centopéico. Desculpem. Agora eu já sei onde eu deveria pocurar emprego.
PS: Quer um exemplo de viuvinha? Suba o texto novamente e leia as manchetes que eu selecionei. Lá estão várias viuvinha: "Holder", "Paulista", Jitsu", "Juventude"... Piada infame: aqui tem mais viuvinha que o funeral do Vinicius de Moraes (hahahahahaha - risos estrondosos e solitários de um fantasma puxa-saco)